Solid Edge vs SOLIDWORKS: qual faz sentido para a tua empresa industrial em 2026

Solid Edge vs SOLIDWORKS: qual faz sentido para a tua empresa industrial

O Solid Edge, da Siemens, e o SOLIDWORKS, da Dassault Systèmes, são dois CAD 3D profissionais com capacidades comparáveis. A diferença que pesa na decisão não está na lista de funcionalidades, mas sim no método de modelação, na dimensão da comunidade de utilizadores e na rede de suporte e formação a que vais ter acesso em Portugal.

Os dois são bons. A pergunta certa é outra

Se estás a comparar estes dois softwares, provavelmente já percebeste que ambos modelam peças, criam montagens, geram desenhos de detalhe e fazem simulação estrutural. A escolha errada raramente se nota na primeira semana. Nota-se ao terceiro ano, quando precisas de contratar um projetista, resolver um problema técnico com urgência ou integrar o projeto com uma máquina nova.

É por esses critérios que esta comparação se orienta.

Comparação direta

Critério Solid Edge SOLIDWORKS Design
Fabricante Siemens Digital Industries Software Dassault Systèmes
Método de modelação Tecnologia síncrona, combina modelação direta com paramétrica Paramétrico com árvore de modelação e histórico
Níveis de licença 4 pacotes: Design and Drafting, Foundation, Classic, Premium Standard, Professional, Premium, Ultimate
Simulação De peças a partir do Foundation; estrutural linear de peças e montagens no Premium Módulos SOLIDWORKS Simulation Standard, Professional e Premium
CAM 2,5 eixos incluídos a partir do Foundation; maquinação avançada com o Solid Edge CAM Pro, produto adicional SOLIDWORKS CAM incluído com subscrição, e integração com SolidCAM para maquinação avançada
Comunidade de utilizadores Segmento mid-market da Siemens Mais de 8 milhões de utilizadores e mais de 500.000 empresas
Utilizadores certificados Sem dados públicos comparáveis Mais de 950.000

Modelação síncrona ou paramétrica: a diferença técnica real

Esta é a distinção onde o Solid Edge tem um argumento genuinamente próprio, e merece ser explicada com honestidade.

A tecnologia síncrona permite editar a geometria diretamente, sem percorrer o histórico de features. Selecionas uma face, arrastas, alteras uma cota, e o modelo responde sem recálculo da árvore inteira. Quando trabalhas sobre ficheiros importados de fornecedores, sem histórico, isto acelera edições que de outra forma exigiam reconstrução.

O SOLIDWORKS Design trabalha com árvore de modelação e histórico. Cada feature depende das anteriores, e é essa dependência que te dá controlo: alteras uma dimensão na origem e a montagem completa atualiza de forma previsível, com as relações que definiste a manter-se.

O SOLIDWORKS também te dá a possibilidade de realizar modelação direta, utilizando as suas ferramentas para o fazer, apesar do seu conceito ser algo diferente do Solid Edge.

A escolha depende do trabalho que fazes todos os dias:

  • Se o teu dia é passado maioritariamente a editar geometria importada que não desenhaste, a modelação direta poupa horas reais
  • Se produzes projetos por medida sobre uma base comum, com variantes e alterações do cliente a meio, o histórico paramétrico é o que te permite reutilizar em vez de reconstruir

Do projeto ao fabrico

O custo maior de um CAD nunca é a licença, mas sim a desconexão entre o projeto e o chão de fábrica: colisões detetadas na máquina, versões erradas em produção, retrabalho a consumir margem.

Os dois fabricantes têm resposta para isto. O Solid Edge tem maquinação de 2,5 eixos incluída a partir do pacote Foundation e o CAM Pro como produto adicional para operações avançadas. O SOLIDWORKS Design tem o SOLIDWORKS CAM e a integração com SolidCAM, com o percurso de ferramenta a atualizar sobre o modelo nativo, incluindo módulos como o iMachining, que segundo a SOLIDCAM permite reduzir tempos de maquinação até 70%.

Na brochura, os dois cumprem. A diferença aparece na implementação: nos pós-processadores afinados para as tuas máquinas, na experiência de quem configura, no tempo entre a alteração de projeto e o programa validado. Isso testa-se, com as tuas peças e as tuas máquinas, numa demonstração. Qualquer fornecedor que recuse esse teste está a dizer-te alguma coisa.

Comunidade, formação e talento disponível

Este critério é ignorado nas comparações internacionais e é decisivo para uma PME portuguesa.

Faz estas 3 perguntas antes de assinar qualquer proposta:

  1. Quando contratares um projetista, quantos candidatos vão já dominar o software? Com mais de 8 milhões de utilizadores e mais de 950.000 certificações emitidas, o SOLIDWORKS tem a maior base instalada do CAD 3D mecânico, incluindo nas universidades e politécnicos portugueses.

  2. Quem forma a tua equipa, com que certificação e em que língua? A CADNEA é entidade formadora certificada pela DGERT, com formação presencial, mista e e-learning, e licença de formação para quem ainda não tem licença própria. Do lado do Solid Edge, confirma que oferta com certificação equivalente existe em Portugal.

  3. Quando o software falhar numa quinta-feira às 15h, quem atende, onde está e em quanto tempo responde? Pede o compromisso por escrito aos dois lados.

Quando o Solid Edge é a escolha certa

Uma comparação só é útil se admitir os cenários em que a resposta é o outro software.

Existem 2:

  • O teu grupo já trabalha com soluções Siemens, como o NX ou o Teamcenter, e a política de fabricante único tem valor operacional real para a tua estrutura
  • Herdaste uma base grande de ficheiros Solid Edge e o custo de migração, entre conversão de histórico e reaprendizagem da equipa, supera o benefício da mudança no teu horizonte de decisão

Existe um terceiro cenário parcial: se a maioria absoluta do teu trabalho é editar geometria importada de terceiros, sem histórico, a modelação síncrona joga a favor do Solid Edge. Mas atenção ao teste: se produzes por medida, com variantes sobre uma base comum e alterações de cliente a meio do projeto, estás no cenário oposto, onde o histórico paramétrico do SOLIDWORKS Design é o que te permite propagar alterações em vez de reconstruir.

Se não te reviste em nenhum destes cenários, a decisão joga-se nos critérios anteriores: quem forma a tua equipa, que talento encontras no mercado, quem te atende quando falha, e o teste prático com as tuas peças.

Como decidir na prática

Não decidas por tabela comparativa, incluindo a deste artigo. Faz isto:

  1. Escolhe 1 projeto real teu, dos complicados, com uma alteração de cliente a meio
  2. Pede aos dois fornecedores para o modelar à tua frente e aplicar essa alteração
  3. Mede o tempo do projeto alterado até ao programa de maquinação validado nas tuas máquinas
  4. Pergunta quem te atende quando algo falha e pede o compromisso de resposta por escrito
  5. Soma o custo total a 3 anos: licença, manutenção, formação e horas de implementação

O software que ganhar este teste é o teu.

Se quiseres fazer este teste com uma peça tua, a equipa técnica da CADNEA mostra-te o percurso completo, do projeto ao programa de maquinação.
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Perguntas frequentes

Depende do ponto de partida. Quem vem de modelação direta adapta-se depressa à tecnologia síncrona do Solid Edge. Quem vem do 2D ou de outro CAD paramétrico tende a progredir mais rápido no SOLIDWORKS, pela quantidade de recursos de aprendizagem disponível: tutoriais, cursos, comunidade com mais de 8 milhões de utilizadores e formação certificada DGERT em Portugal. A curva de aprendizagem depende menos do software e mais do apoio que tens durante os primeiros 3 meses.

Os dois são cotados por configuração: pacote, número de postos, módulos e manutenção. Comparar preços de tabela induz em erro, porque o custo real a 3 anos inclui licença, manutenção, formação e horas de implementação. Para teres uma referência do lado SOLIDWORKS, utiliza o simulador de preços da CADNEA.

Sim, a geometria transfere-se bem, porque os dois softwares partilham o mesmo kernel de modelação, o Parasolid, da própria Siemens. O que não migra é o histórico de features: as peças chegam como geometria, e a árvore de modelação é reconstruída quando necessário. Numa migração real, a abordagem certa é avaliar primeiro que ficheiros precisam de histórico e quais podem viver como geometria importada.

O SOLIDWORKS tem mais de 8 milhões de utilizadores e mais de 500.000 empresas em todo o mundo, com mais de 950.000 utilizadores certificados. O Solid Edge posiciona-se no segmento mid-market da Siemens, sem números públicos comparáveis. Na prática, para a tua empresa, isto traduz-se em mais candidatos que já dominam o software, mais respostas em fóruns e mais engenheiros formados nas universidades e politécnicos portugueses.

Se herdaste uma base grande de ficheiros Solid Edge e a equipa domina o software, a migração só se justifica com um ganho concreto: integração com maquinação, gestão de dados, ou acesso a talento e formação local. A forma certa de decidir é o teste descrito acima, com uma peça tua e uma alteração de cliente a meio. Se o ganho não for visível nesse teste, mantém o que tens.